sábado, 1 de outubro de 2011

História do Projeto Missionário da Aliança Congregacional


Durante o Congresso Brasileiro de Missões, em 1983, Deus despertou um estudante de seminário para planejar o início de um projeto que se fortaleceria anos mais tarde. Em Minas Gerais, o jovem Marcone de Carvalho Santana não saberia o quanto seria impactado por Deus após uma pregação do Pr. Caio Fábio. Aquele seminarista, que tempos depois se tornaria diretor nacional de missões de sua denominação, influenciado pelo Espírito Santo de Deus, começou a sentir uma profunda necessidade de ver a juventude Congregacional envolvida com a obra missionária.
Em 1986, já casado, aquele jovem seminarista foi ordenado pastor na Igreja Evangélica Congregacional de Macaparana, interior do estado de Pernambuco. Em seu primeiro trabalho como ministro do Evangelho, o Pr. Marcone iniciou um processo influenciador entre os jovens de sua igreja, a fim de que eles fossem despertados para missões.
A igreja de Macaparana, em 1991, hospedou o congresso nacional de jovens da ALIANÇA Congregacional. Aquela era a oportunidade que o Pr. Marcone não poderia deixar passar. Era o momento de expor à liderança do DEMEC (Departamento de Mocidade Evangélica Congregacional) o seu sonho de ver os mais novos evangelizando, fazendo missões na prática, não mais na teoria. Foi o momento que Deus preparou para que ele pudesse propor ao Departamento a possibilidade dos jovens doarem suas férias para Jesus, para que Cristo fosse glorificado através da evangelização durante o período ocioso de descanso.
Na época, Josimar Lima, que era o diretor do DEMEC, atendeu ao apelo do Pr. Marcone e se prontificou em ajudá-lo neste novo desafio. Atualmente Josimar pastoreia uma igreja de outra denominação no Mato Grosso do Sul. Segundo ele, “o projeto missionário foi uma semente bem plantada do Pr. Marcone no DEMEC que cuidamos com carinho e deixamos crescer até se transformar em uma árvore frondosa com muitos frutos”.
Naquele congresso de jovens, o plano de elaborar projetos missionários durante os meses de janeiro foi aprovado em plenária por toda a diretoria do DEMEC. Surgiria então, em janeiro de 1991, o primeiro projeto missionário, na cidade de Sapé, localizada a 55 km da capital paraibana, berço do poeta Augusto dos Anjos. A missão contaria com 12 participantes, sendo 6 provenientes da cidade onde foi aprovada a ideia, Macaparana, e 6 vindos de Campina Grande, segunda cidade mais importante da Paraíba. Josimar integrava o rol de membros da 2ª IEC de Campina, pastoreada por Gerson Barbosa (falecido).
            Contando com apenas 12 jovens, Deus usou aquele primeiro projeto missionário para que 48 vidas pudessem se decidir por Cristo. A cidade de Sapé/PB foi escolhida a fim de que a igreja local recebesse apoio e fortalecimento, pois se encontrava em um período difícil. “O que mais me impressionava era a unidade que existia no grupo, o amor pelas almas perdidas, a dedicação e o cuidado que o Pr. Marcone tinha conosco”, relata o Pr. Josimar Lima.

            Depois daquele projeto, muitos crentes começaram a despertar para missões locais. O DEMEC tomou um rumo diferente depois que abraçou este trabalho durante o primeiro mês de cada ano. Pessoas foram impactadas e atenderam ao chamado do Senhor para a obra missionária. Aconteceu um verdadeiro mover de Deus, pois missões já não estaria mais no campo das ideias, porque, de fato, muitos jovens compreenderam sua vocação ministerial e, mais tarde, se tornariam pastores e missionários.
            Posteriormente, em janeiro de 1992, foi realizado o segundo projeto. Desta vez, os moradores de Mossoró, segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, seriam evangelizados pela juventude Congregacional. Naquela cidade, havia um trabalho que estava no início. Um ano depois, o projeto missionário estaria em São Bento, sertão da Paraíba.

Uma nova estrutura, um novo projeto

            De 1994 a 1996, a juventude parou com este trabalho de evangelismo nas férias, sendo retomado apenas em 1997, sob a liderança do seminarista Bartolomeu Lopes do Nascimento. Vale ressaltar que os três primeiros projetos não tiveram sua divulgação no âmbito nacional. Devido a isto, muitos pastores, e os próprios jovens da denominação, desconheciam o trabalho que estava sendo realizado durante os meses de janeiro.
            Muito envolvido com a obra missionária, ainda estudante do SETEP (Seminário Teológico Evangélico da Paraíba), Bartolomeu participou de vários projetos missionários que eram promovidos pela JUVEP (Juventude Evangélica Paraibana). Quando estava na liderança do DEMEC, Bartolomeu percebeu que a JUVEP conseguia reunir em torno de 40 pessoas para realizar seus projetos missionários. Como naquela época a ALIANÇA contava com 82 igrejas no Brasil, Bartolomeu acreditou que poderia elaborar um evento parecido com o da JUVEP. Bartô (como é mais conhecido) começou a analisar que, se cada igreja da denominação enviasse pelo menos um participante ao projeto missionário, poderia ser realizado um projeto do mesmo estilo da JUVEP pelo DEMEC.
            Com espírito empreendedor, Bartô trabalhou seriamente aquele plano de implantar na ALIANÇA o projeto missionário que seria de responsabilidade da liderança dos jovens, representada pelo DEMEC. Reuniões foram feitas com a diretoria nacional da mocidade e todos aprovaram a ideia. Posteriormente, Bartô conversou com Sérgio Ribeiro (evangelista e diretor da JUVEP) pedindo apoio e se comprometendo em não concorrer com os projetos realizados pela JUVEP. A não concorrência seria dada através da proibição da participação de pessoas de outras denominações no projeto elaborado pelo DEMEC. Somente evangélicos da ALIANÇA poderiam integrar o grupo que evangelizaria sob a liderança de Bartolomeu.

            Sérgio Ribeiro aprovou sem restrições a nova empreitada e, a pedido de Bartô, entregou um disquete contendo toda a estrutura do projeto missionário realizado pela JUVEP. Continha exatamente tudo: palestras de treinamento, devocionais e o que seria necessário para a criação de um projeto bem estruturado. A primeira missão organizada desta maneira foi basicamente igual ao projeto feito por Sérgio Ribeiro. Até mesmo o formato da farda era igual e tinha registrado nas camisas o apoio da JUVEP.
            “Visamos fazer o primeiro projeto em Graccho Cardoso ou Tobias Barreto, [cidades do interior de Sergipe] naquele desejo enorme, porém sem muita experiência. Mas acabou ficando impossível fazer naquele estado e o projeto foi realizado em Remígio, na Paraíba”, relembra Bartolomeu. Pr. Marcone abraçou o projeto, pois era o representante do trabalho que estava sendo realizado em Remígio. Bartô recorda que as palestras foram ministradas por pessoas da JUVEP, Sérgio Ribeiro, Pr. Pontes, missionária Eline, e uma psicóloga também esteve ministrando sobre convivência em grupo.
            Houve divulgação e o DEMEC então conseguiu reunir 33 pessoas para participar do primeiro projeto missionário com a nova estrutura. “Confesso que até hoje, mesmo depois do 25º Projeto Missionário, se fosse para considerar os melhores projetos, o de Remígio estaria entre os três melhores. Foi um momento fantástico!”, recorda Bartolomeu. Segundo ele, foi a partir do trabalho em Remígio que o Projeto Missionário do DEMEC passou a fazer parte do calendário anual da ALIANÇA.
            Anos se passaram e o seminarista Bartô se tornaria o Pr. Bartolomeu Nascimento. Responsável pela Congregação da 1ª IEC de João Pessoa, localizada no Bairro das Indústrias, ele nunca deixaria de integrar o corpo de líderes do Projeto Missionário. Com exceção do realizado em janeiro de 2008, que ele não pôde comparecer, por motivos de saúde, Pr. Bartolomeu sempre divulgou, orou e trabalhou arduamente por estes projetos.
Pr. Sandro Paiva, que na época ainda não era pastor, também foi responsável pela liderança daquele primeiro trabalho. Atualmente, são realizados dois ao ano, cada janeiro e julho reúnem pessoas de todas as idades e de diversas localidades para a obra de evangelização no período de férias. O projeto em Assú, no Rio Grande do Norte, em janeiro de 2008, se tornou recordista em número de projetistas: 144 pessoas.
Durante muitos anos, o Projeto Missionário do DEMEC foi liderado por Josélio Martins, Walkíria Campos, Aurealúcia Colaço, Andréia Santiago e René Samara. Todos estes estão atualmente trabalhando com missões em suas igrejas ou campos missionários. Para a missionária Andréia Santiago, os projetos missionários foram importantes porque auxiliaram em sua “formação de identidade cristã”.

Josélio Martins acredita que ter liderado e participado de projetos missionários facilitou a prática do seu ministério. “A experiência nesses projetos tanto como líder quanto como projetista serviu para me ajudar em meu trabalho ministerial”. Ele afirma também que não ter se desvinculado dessas missões quando seminarista foi importante para ampliar sua visão missionária.

            Com relação ao número de pessoas, o Pr. Bartolomeu disse que “quanto mais pessoas, maior a mão-de-obra. Basta saber conduzir bem a questão da ordem do dia e das pessoas, sabendo administrar o comportamento de cada um”. Ele fica feliz pelo grande número de jovens que tem se interessado pelos projetos, mas afirma que as igrejas deveriam investir mais na ida de diáconos, senhores, presbíteros, novos pastores e seminaristas.

            Atualmente não há mais o medo da “concorrência” entre os projetos da JUVEP e do DEMEC. Os dois possuem uma estrutura e divulgação que conseguem bom número de integrantes e possuem objetivos diferentes. O projeto missionário do DEMEC passou a ser agora uma realização direta da ALIANÇA. A liderança do projeto conta agora também com a ajuda do DOM. Hoje, os projetos são realizados nas cidades onde possuem campos missionários da denominação, a fim de fortalecê-los e apoiar o ministério dos missionários. Não há mais restrições denominacionais, podendo participar qualquer crente que integrar o rol de membros de uma igreja genuinamente evangélica e ter a carta de recomendação de seu pastor. 

Caline Galvão 

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